O futebol é cruel até com quem já esteve no topo. Marcos Braz, que viveu dias de glória no Flamengo, agora enfrenta um novo capítulo turbulento na carreira: está fora do Remo e, neste momento, desempregado no mercado da bola.
Saída surpreendente no Baenão
A despedida de Marcos Braz do Remo pegou muita gente de surpresa. O anúncio foi feito pelo próprio clube paraense no último domingo (25), encerrando um trabalho que durou cerca de oito meses. Um ciclo curto, intenso e cheio de altos e baixos, mas que terminou com um feito histórico: o acesso à Série A de 2026, após 32 anos de espera do torcedor azulino.

Chegada inesperada e desconfiança inicial
A chegada de Braz ao Leão Azul já tinha sido cercada de desconfiança. Em 31 de maio, ele assumiu como executivo de futebol, substituindo Sérgio Papellin, justamente em um momento em que o time vivia bom início de Série B.
Mesmo tendo passado pelo clube antes — visita em janeiro e presença no sorteio da Copa do Brasil —, Braz não era um nome esperado para a função. Seu histórico era de vice-presidente de futebol do Flamengo, não de executivo no dia a dia. Ainda assim, assinou contrato até o fim de 2025.
Reformulação pesada e decisões polêmicas
Nos primeiros meses, Braz colocou a mão na massa e forte. Foram 16 contratações e 13 saídas entre vendas, empréstimos e rescisões. Algumas apostas deram muito certo, como:
- Diego Hernández
- Nico Ferreira
- Panagiotis
- Kayky Almeida
- João Pedro, herói do jogo do acesso com dois gols na rodada final
Mas nem tudo foi consenso. A escolha do técnico António Oliveira virou um ponto de atrito com a torcida desde o início.
António Oliveira, vaias e pressão da arquibancada
O português chegou bancado por Braz, mas nunca caiu nas graças do torcedor. Logo na estreia, derrota no Re-Pa, e depois uma sequência irregular: 41% de aproveitamento em 12 jogos.
As vaias no Mangueirão, faixas nos muros do clube e pressão externa cresceram. Mesmo assim, Braz segurou o treinador por meses, citando experiências positivas com portugueses no Flamengo, como Jorge Jesus e Vítor Pereira. A demissão só veio no fim de setembro, após derrota para o Atlético-GO, no Baenão.
Guto Ferreira, reação e acesso épico
A virada de chave veio com Guto Ferreira. Quando ele assumiu, o Remo era apenas o 12º colocado, com 39 pontos, a sete do G-4, restando 10 rodadas. Missão quase impossível.
Mas o futebol adora uma boa história. O time cresceu, encaixou, e jogadores contratados por Braz decidiram jogos importantes, com destaque para Diego Hernández, autor do gol salvador no Re-Pa do segundo turno, nos acréscimos. Na última rodada, vitória sobre o Goiás e explosão da torcida: Remo de volta à Série A após 32 anos.
Bastidores, desgaste e fim da linha
Mesmo com o acesso, os bastidores seguiram quentes. A renovação de Guto Ferreira travou, e o técnico acabou saindo. Para a elite, o escolhido foi Juan Carlos Osório. Enquanto isso, o próprio futuro de Braz era incerto. Apesar de declarar, no início de janeiro, que “a cabeça estava no Remo”, rumores de desgaste interno e problemas de relacionamento com o presidente Tonhão ganharam força, ainda que oficialmente negados.
Pouco tempo depois, veio o anúncio: fim da linha.
Análise: saldo positivo, mas clima insustentável
No papel, Marcos Braz entrega resultado: acesso histórico, elenco competitivo e decisões que, no fim, funcionaram. Mas o futebol não vive só de números. Bastidores pesados, desgaste político e ruído com a torcida costumam cobrar seu preço, e cobraram.
Agora, Braz volta ao mercado como um nome experiente, vencedor, mas marcado por mais um trabalho intenso e curto. No futebol brasileiro, isso tanto pode ser obstáculo quanto combustível para o próximo desafio.
E a pergunta que fica: quem será o próximo clube a apostar em Marcos Braz? O mercado não costuma perdoar… mas também não esquece quem entrega resultado.